saíram à rua no dia 10 de Março
Em luta por uma educação <br>pública
No dia 10 de Março, os estudantes do Ensino Básico e Secundário saíram à rua em defesa da escola pública, gratuita e de qualidade. Esta luta, desde a sua preparação, teve expressão em 95 escolas de todo o País e culminou, na quinta-feira, com 35 acções de protesto em todo o País.
Estudantes exigem mais financiamento para a Educação
Esta jornada nacional de protesto, lançada por um conjunto de associações de estudantes do Ensino Secundário, visou assinalar o Dia do Estudante, que se comemora a 24 de Março, assim como lutar por mais financiamento para a Educação.
Reclamaram, nas escolas e na rua, o fim das aulas em contentores ou em salas degradadas, alertaram para a existência de turmas sobrelotadas, com mais de 30 alunos, porque faltam professores, criticaram a privatização de bares e cantinas e a consequente subida de preços e degradação da qualidade das refeições e condenaram o aumento dos custos de frequência do ensino, causados pelo fim do desconto do passe escolar 4_18 e pelo custo dos materiais e manuais escolares.
A estes problemas, acrescenta-se a inexistência de aquecimento nas salas de aula, a diminuta Acção Social Escolar, que abrange cada vez menos estudantes, os atrasos nos apoios para os estudantes dos cursos profissionais e a desvalorização da avaliação contínua e a existência de exames nacionais, que afastam todos os anos milhares de estudantes do Ensino Superior.
Luta organizada
Em nota de imprensa, a JCP valorizou esta acção de reivindicação no momento político actual. «Após a derrota do governo PSD/CDS, que tantos ataques fez à escola pública, reafirmamos que com a luta organizada é possível defender, repor e alcançar direitos, dar resposta às reivindicações dos estudantes e aumentar o investimento Educação Pública, com vista à melhoria das condições de cada escola», salientam os jovens comunistas.
No entanto, acrescentam, «muito há ainda a fazer para a derrota da política de direita», sendo por isso «fundamental a intervenção organizada dos comunistas na sua escola, denunciando os problemas, dinamizando a luta e o reforço da JCP».
Estudantes do Ensino Superior manifestam-se em Lisboa
Protesto nacional
Anteontem, os estudantes do Ensino Superior realizaram uma manifestação, entre o Largo do Camões e a Assembleia da República (AR), em Lisboa. A iniciativa partiu de cinco associações de estudantes do Porto, que se juntaram na realização de um abaixo-assinado, entregue no dia 15 na AR, durante a discussão do Orçamento do Estado para 2016.
No documento, divulgado e subscrito por dezenas de outras associações de estudantes de todo o País, manifesta-se oposição «ao aumento das propinas» e exige-se a «reposição do passe escolar, acessível a todos os estudantes, com um desconto de 60 por cento nos passes dos transportes públicos» e um «novo regulamento de atribuição de bolsas de estudo, que faça corresponder as bolsas aos reais gastos do Ensino Superior, com um aumento do número de bolsas atribuídas e do seu valor».
Os estudantes reclamam ainda um «processo de candidatura às bolsas menos burocrático, e uma maior rapidez na resposta e na entrega das bolsas; melhoria da qualidade dos Serviços de Acção Social e da sua proximidade aos estudantes, com mais meios humanos e financeiros», «mais residências e melhoria das condições nas já existentes» e «redução do custo da refeição nas cantinas e gratuitidade da mesma para estudantes bolseiros; reabertura das cantinas encerradas, melhoria das infra-estruturas e passagem das cantinas para os Serviços de Acção Social, com vista a um serviço de maior qualidade».
Na segunda-feira, 14, a AR aprovou, na especialidade, uma proposta do PCP (ver páginas 12 e 13) para a suspensão da actualização das propinas no Ensino Superior.
Manifestação nacional da juventude trabalhadora
Por um Portugal com futuro
Os jovens trabalhadores de todo o País vão manifestar-se, no dia 31 de Março, em Lisboa, entre o Largo do Camões e Assembleia da República. A acção, promovida pela Interjovem/CGTP-IN, tem como objectivo exigir medidas legislativas de combate à precariedade laboral e à resolução de outros problemas concretos que afectam a vida dos jovens trabalhadores, bem como reclamar uma mudança efectiva de política para um Portugal com futuro.
«As condições de vida e de trabalho dos jovens trabalhadores, nos últimos anos, têm sofrido um forte ataque por parte dos governos e patrões – congeminadores de uma política de direita que retira direitos, destrói vidas, explora e empobrece o País», refere um documento, de mobilização para a manifestação nacional, onde se dá conta que «o momento foi e é de luta».
«Os jovens trabalhadores, organizados, que resistiram nas empresas e locais de trabalho, que lutaram e reivindicaram mais salários, redução de horário e o fim da precariedade, foram determinantes para derrubar o governo PSD/CDS, em Outubro passado, e travar as investidas do patronato», salienta a Interjovem, que agora continua a reclamar por «um verdadeiro aumento de salários», a «redução progressiva dos horários para todos os trabalhadores», o «fim da precariedade» e «taxar quem mais enriquece e aliviar quem trabalha».